Autoestima sob os olhos da psicanálise
- Raquel Costa

- há 5 horas
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Por Raquel Silva Costa
Desde muito pequenos nos deparamos com espelhos físicos e imaginários. Quando falamos de espelhos imaginários, podemos pensar nos momentos em que imaginamos nossa própria imagem refletida no olhar do outro. Nesse processo silencioso, muitas vezes nos tornamos, ao mesmo tempo, advogados, promotores e juízes da imagem que acreditamos projetar.
Tomemos uma situação cotidiana: estamos diante de um evento festivo. Nesse espaço social, admiramos e também somos admirados ou assim acreditamos por nossa postura, pela forma como nos apresentamos e pelas escolhas que fizemos ao nos vestir. Nessa circunstância, um comentário, um olhar ou até mesmo um sorriso direcionado ao sujeito pode tornar-se desestabilizador quando o olhar que ele próprio sustenta sobre sua aparência ainda não está bem resolvido internamente.
Assim, um momento que poderia ser leve, social e interativo pode transformar-se, para alguns, em uma experiência de frustração íntima.
Tanto homens quanto mulheres carregam consigo marcas psíquicas que, muitas vezes de forma inconsciente, influenciam a maneira como assumem sua imagem diante do espelho. A partir disso, passam também a imaginar a imagem que acreditam existir no olhar do outro. Em suas mentes, o outro parece estar realizando um julgamento completo daquilo que vê tanto no espelho externo quanto nos espelhos internos que carregamos dentro de nós.
Ao mesmo tempo, vivemos em uma sociedade que constantemente apresenta padrões de beleza, estilo e comportamento frequentemente inalcançáveis. Esses modelos, repetidos pela cultura, pela mídia e pelas redes sociais, podem intensificar a sensação de inadequação em muitos sujeitos, reforçando a ideia de que sempre falta algo para corresponder à imagem idealizada.
Na grande maioria das vezes, esse impacto é momentâneo. Porém, quando essa dinâmica se estrutura internamente, o sujeito pode passar a conviver com uma angústia constante, marcada por uma sensação persistente de insatisfação consigo mesmo.
É justamente nesse ponto que o trabalho analítico pode se tornar significativo. Ao longo do processo de análise, o sujeito tem a possibilidade de reconhecer essas marcas e compreender de onde emergem essas exigências internas.
Quando esse trabalho acontece, algo importante se reorganiza: o sujeito passa a reconhecer que o padrão de beleza, estilo ou gosto é, antes de tudo, uma escolha que pode estar ligada à sua própria satisfação.
Assim, pode ser que alguém se sinta confortável usando um vestido leve em um dia de calor ou goste de brilho enquanto seus amigos preferem cores mais sóbrias. Nesse momento, os comentários e olhares permanecem no espelho do outro e já não ocupam mais o centro do próprio sujeito.




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